Nesta segunda-feira (30) a Associação Brasileira de Match Race publicou mais um artigo técnico do paranaense Daniel Glomb, em contribuição ao desenvolvimento das competições barco contra barco. Desta vez, o líder do ranking nacional dá dicas específicas sobre manobras e comportamento dos barcos da classe J24.
Na velejada com o J24, existem pontos interessantes à observar. Antes de mais nada, identifico o ângulo de 60° com o vento, como sendo aquele em que o barco acelera mais rapidamente. Sendo necessário adquirir velocidade nas pré-largadas, a velejada neste ângulo é a mais indicada, mesmo que o objetivo seja andar mais orçado ou arribado posteriormente. Atingindo seguimento, fica mais fácil velejar no ângulo desejado.
No contravento, é de suma importância que o barco veleje adernando o mínimo possível. Como o J-24 é um barco com uma boca considerável em função de seu tamanho, possuindo baixo calado, aquele que timoneá-lo adernado vai derivar lateralmente, ou seja, perder o precioso barlavento. O ditado barlavento e mulher, nunca é demais se aplica, seguramente, ao J-24. Ele é um barco lento e pesado, conseguir ganhar um pouco de barlavento com relação ao oponente, pode significar entrar na rajada antes. Às vezes pode ir além disso. Já cansei de ver situações em que barcos muito próximos uns dos outros, velejam com intensidades de vento diferentes, o que ocorre por estarem em faixas de vento diferentes. É óbvio que a rajada pode entrar negada e favorecer quem está a sotavento. Mas nesta classe, aqueles que tentam soltar o barco para andar para frente, acabam na grande maioria das vezes não andando mais rápido, mas sempre perdendo muita altura.
Igualmente, é de suma importância saber trabalhar com o peso da tripulação. Isso ajuda a movimentar o mínimo possível o leme. Lembramos que quando este não está alinhado com a quilha, acaba por frear o barco. A dica vale para a pré-largada, contra o vento e popa. O balanço com o peso da tripulação faz grande diferença.
Nos ventos fortes, aliviar a vela grande, soltando a escota, nem sempre é suficiente para manter o barco equilibrado no contravento. Nas rajadas mais fortes, sugiro soltar um pouco a buja. O ponto da buja talvez seja o fator que pode fazer a maior diferença na velocidade do barco. Como referência para o carrinho da buja, sugiro como ponto de partida, alinhar o moitão nas proximidades do estai lateral. Na dúvida, especialmente com ondas, colocar o ponto mais para frente (não do estai). Errar o ponto, colocando o carrinho mais para trás do que o correto, significa achatar a parte inferior da buja e, conseqüentemente, tirar a potência do barco, o que afeta de modo novável a velocidade.
Nas manobras: (Considerando equipe com 4 tripulantes, conforme os campeonatos de Match Race Open )
- deixar a escota de sotavento do balão mordida na entrada do popa. Assim, o tripulante da secretaria poderá caçar o barlavento e o trimmer, por sua vez auxilia a subida do balão, ao colocá-lo para fora da cabine ajudando a deixar o seu caminho livre;
- sempre que possível armar o pau de spinnaker. Mesmo que se trate de um tackset - situação em que se aproxima da bóia de contravento com amuras à boreste - é possível engatar o pau no mastro rapidamente. Para tanto a escota do balão deve ser previamente engatada no pau;
- o tripulante da secretaria deve regular a vela grande na pré-largada;
- Tomar especial cuidado para não atropelar as escotas do balão na sua descida. O proeiro deve estar atento ao soltar a adriça, dosando a baixada à medida que o tripulante da secretaria recolhe a vela;
No mais é observar os pontos que se aplicam à todos os barcos e principalmente se programar para treinar o máximo possível. O número de horas praticadas, será o grande diferencial.